» » » » » Visitação em Fernando de Noronha pode ser reduzida

Alta de quase 79% de visitantes alertou o conselho gestor a repensar a quantidade de voos e reduzir o quantitativo de turistas



O arquipélago de Fernando de Noronha registrou, até agora, o maior número de visitantes, chegando a um incremento de quase 79% da média histórica. A expectativa é que a ilha atinja a marca de 95 mil em 2017 - um fator preocupante para o Conselho Noronhense de Turismo, uma vez que esse número extrapola a capacidade do lugar, que já sofre com problemas de infraestrutura devido ao inchaço populacional. 

Ao pegar a estimativa e dividir pelos 365 dias do ano, a média de turistas que vai à ilha por dia chega a 260 pessoas. Tal realidade alertou o conselho gestor a repensar a diminuição da quantidade de voos em Noronha para, com isso, reduzir o quantitativo de turistas.

A legislação estadual, por meio da normativa nº 002/07, define a capacidade suporte é de 246 visitantes por dia, o que soma um limite 89.790 pessoas ao ano, algo que também consta no Plano de Manejo da ilha. O problema, aponta o conselho, é que a partir de 2014, a lei passou a ser descumprida com a autorização de voos extras/regulares, possibilitando um considerável aumento de visitantes. 
Dados da Administração de Fernando de Noronha (1995-2016) revelam que, a partir de 2014, houve aumento de 15% no número de voos. Em 2015 e 2016, esse percentual subiu para 40%. Em 2008, a capacidade de carga física de Noronha era de seis mil pessoas. Naquela época, com 60 mil visitantes, já havia cerca de 1.450 pessoas a mais que a infraestrutura comportava. 

O descontrole demográfico, aponta o chefe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em Noronha, Felipe Mendonça, reflete numa série de problemas socioambientais enfrentados por quem mora na ilha. O setor de Controle Migratório da ilha contabiliza que, atualmente, Noronha conta com 5.710 pessoas. "Isso referente aos moradores em situação regular. Porque esse número é muito maior, se levar em conta os irregulares", salienta Mendonça.

Para repensar estratégias que reflitam um maior controle da taxa de visitação por meio da diminuição de voos, o conselho criou um Grupo de Trabalho para conversar com representantes de empresas aéreas. A primeira reunião ocorre já nesta quarta-feira. 

"Não é uma mudança que ocorre do dia para noite. Mas, a criação do GT já é um passo para definirmos regras numa discussão conjunta para que, de fato, a lei volte a ser operacionalizada. Toda a ilha tem capacidade limite para moradores e visitantes e em Noronha não seria diferente", conta Felipe Mendonça. O ICMBio é uma das instituições que compõem o conselho noronhense junto à Administração de Noronha, Empetur, associações de bares, restaurante e pousadas.

Problemas
Entre os problemas enfrentados na ilha por reflexo desse inchaço populacional, Felipe Mendonça apontou o precário saneamento básico, problemas de abastecimento de água (recentemente, o sistema de rodízio foi ampliado no arquipélago, passando um dia com água por seis racionados), o vazamento de chorume para o mar por meio da usina de tratamento de resíduos sólidos, atingindo diretamente os corais das praias do Parque Nacional Marinho (Panama) e a a falta de infraestrutura aeroportuária e portuária para comportar tantas operações. 

"Por isso, faz-se necessário repensarmos medidas o quanto antes, porque Noronha já sofre com problemas estruturais", conclui. A Folha de Pernambuco tentou contato com a Associação Brasileira de Emepresas Aéreas (Abear), mas não conseguiu.
fonte: Folha de Pernambuco

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