» » » Eleições nos EUA: cinco razões para a vitória de Trump

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, discursa para apoiadores em NY (Foto: Mike Segar/Reuters)          
O republicano Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos, contrariou várias expectativas desde o início de sua campanha, há mais de um ano.
Pouca gente acreditava que ele iria realmente concorrer. Mas ele foi lá, e entrou na disputa. Também acharam que ele não subiria nas pesquisas, muito menos ganharia as primárias do Partido Republicano. Quem apostaria que ele venceria uma eleição geral?
Mas o fato é que Trump acaba de derrotar a democrata Hillary Clinton e ser eleito presidente dos Estados Unidos. Confira cinco razões para sua vitória, inesperada para a maioria e inexplicável para muitos.
Um revés atrás do outro. Ohio, Flórida e Carolina do Norte votaram em Trump.
Os democratas confiaram demais em sua força no Centro-Oeste. Esses Estados foram reduto do partido por décadas, em parte por causa do apoio dos eleitores negros e da classe trabalhadora branca.
Mas os brancos da classe trabalhadora, especialmente aqueles sem formação universitária - homens e mulheres -, abandonaram o partido. Os eleitores rurais compareceram às urnas em peso e, assim como os americanos que se sentiram negligenciados pelo sistema e deixados para trás pela elite costeira, fizeram suas vozes serem ouvidas.
Enquanto Estados como Virgínia e Colorado se mantiveram firmes com os democratas, Wisconsin também sucumbiu - e com isso as esperanças presidenciais de Hillary.
A onda pró-Trump atingiu os Estados-chave. E com força.
Blindagem
Trump insultou o veterano de guerra John McCain, senador republicano. Comprou uma briga com a jornalista Megyn Kelly, âncora da Fox News. Fez um pedido de desculpas protocolar após o vazamento de um vídeo em que fazia comentários obscenos sobre mulheres.
Nada disso importou. Embora tenha caído nas pesquisas após algumas polêmicas, sua aprovação parecia blindada - voltando a subir logo depois.
Talvez os ataques tenham sido tão duros e rápidos que ninguém teve tempo de lhe tirar o sangue. Talvez a personalidade e o apelo de Trump fossem tão fortes, que os escândalos acabassem rebatidos. Seja qual for a razão, o republicano se mostrou à prova de balas.
O 'forasteiro'
Ele disputou a eleição contra os democratas. Mas também enfrentou forças dentro do próprio partido. Trump bateu em todo mundo.
O republicano desbancou seus adversários republicanos nas primárias. Alguns, como Marco Rubio, Ted Cruz, Chris Christie e Ben Carson, eventualmente se renderam e passaram a apoiá-lo. Outros, como o ex-governador da Flórida Jeb Bush e o governador de Ohio, John Kasich, disseram que não o apoiariam.
E os demais membros do partido, como o presidente da Câmara, Paul Ryan? Trump não precisou da ajuda deles - e, de fato, pode ter ganhado a eleição porque estava disposto a fazer oposição a figurões do próprio partido.
É provável que essa postura de Trump tenha provado sua independência e status de "forasteiro", em um momento em que grande parte da população americana está contrariada com Washington (embora não o suficiente para impedir o retorno da maioria dos congressistas candidatos à reeleição).
Esse foi um estado de espírito que alguns políticos captaram - como o democrata Bernie Sanders, por exemplo, e Ted Cruz. Ninguém, no entanto, se aproveitou mais disso do que Trump, o que lhe rendeu a Casa Branca.
O fator Comey
As pesquisas fizeram um trabalho lamentável prevendo as preferências do eleitorado, particularmente nos Estados do Meio-Oeste. Nos últimos dias da campanha, no entanto, as sondagens mostravam que Trump estava próximo o suficiente da vitória.
Essa trajetória não parecia tão óbvia há duas semanas, antes de o diretor do FBI, James Comey, ter anunciado que estava reabrindo a investigação sobre o uso de um servidor privado de e-mail por Hillary Clinton quando ela era secretária de Estado americana.
É verdade que a disputa estava ficando apertada, mas ficou mais acirrada após as declarações de Comey. Tudo indica que, nesse período, Trump consolidou com êxito a sua base, trazendo de volta alguns conservadores e destruindo as esperanças que Hillary tinha de convencer os eleitores na reta final da campanha.
Por outro lado, as ações de Comey nunca teriam sido um fator se Hillary tivesse confiado nos servidores de e-mail do Departamento de Estado para suas trocas de e-mail. Esse peso recai agora sobre seus ombros.
Instintos apurados
Trump protagonizou uma campanha nada convencional, mas mostrou que sabia mais do que os especialistas.
Gastou mais em chapéus do que em pesquisas. Viajou para Estados como Wisconsin e Michigan, que os analistas diziam estar fora de alcance. Realizou comícios de massa, em vez de pedir votos de porta em porta.
Todas essas decisões - e muitas outras - foram ridicularizadas em rodas de "especialistas".
No final, no entanto, suas estratégias deram certo. Trump e os aliados mais próximos - seus filhos e alguns conselheiros - vão rir por último. E vão fazer isso na Casa Branca.
Postado por Júnior Silva em quarta, novembro 09/2016 

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