» »Unlabelled » Três toneladas de lixo são recolhidas de rio que corta o Recife

Recortado por braços do rio Capibaribe, o Recife é famoso pelas pontes que, além de formarem um elo entre áreas da Capital pernambucana, marcaram a historia e o cotidiano da cidade, que por ser tão dividida pelas águas é considerada a Veneza Brasileira. A paisagem retrata inúmeros cartões-postais, mas não é preciso observar muito para encontrar garrafas plásticas e todo o tipo de entulho boiando no Capibaribe. Durante um mutirão realizado em duas horas e meia, três toneladas de lixo foram recolhidas das margens do rio, em um trajeto de oito quilômetros, nesta segunda-feira (31). 
Coordenada pela ONG Recapibaribe, voltada para a preservação do rio, a ação envolveu cerca de quarenta baiteiras. Elas partiram da altura do Capibar, em Apipucos, na Zona Norte, seguindo até a rampa do Departamento de Remo do Sport, na Ilha do Retiro, Zona Oeste, recolhendo todo o que era encontrado pelo percurso: desde pneus, carcaças de TV e computador, garrafas PET, baldes até vasos sanitários. A ação, chamada "Há Gosto pro Capibaribe", contou ainda com o apoio do Ecobarco, embarcação do tipo catamarã cedida pela Empresa de Manutenção de Limpeza Urbana (Emlurb), que possui uma pá mecânica automática habilitada para remover materiais mais pesados, como sofás e troncos.
Antes de dar a largada das embarcações, os pescadores se reuniram num grande café da manhã. Cada um recebeu uma certa básica e ajuda de custo de R$ 60. Participando há mais de 20 anos da coleta de lixo, o pescador Davi Vicente, 52 anos, desabafou o desejo de, um dia, voltar ao rio com o objetivo de pescar peixes e não mais lixo."Antes em abundância, as espécies tainha, boca mole, saúna e carapeba não são mais encontradas. Antes, pescávamos até 70 quilos de peixe num dia só. Hoje não pegamos nem cinco quilos, só lixo e lama. Tem que ir para alto-mar para conseguir algum sustento", lamentou. O pescador Manasés da Silva, 45, relembrou o rio. "Antigamente, ele era limpo, nadávamos nele. É triste ver como o Capibaribe se encontra hoje. É uma dor, principalmente, para quem acompanhou esse regresso", disse, num tom de tristeza.
Como uma forma de estimular a "caçada" ao lixo, o pescador que retirou a maior quantidade de entulho ganhou uma premiação em dinheiro. Em primeiro lugar ficou o pescador Antônio da Silva, o "Toinho". Ele retirou do rio 528 quilos. O segundo lugar foi conquistado por Flávio Antônio, com 458 quilos, enquanto o terceiro ficou com Agabe da Silva, que retirou 438 quilos, além de dez capacetes. Eles ganharam R$ 200, R$ 100 e R$ 100, respectivamente. Estudantes das escola estaduais Silva Jardim, em Monteiro, Professor Carlos Frederico do Rêgo Maciel, em Camaragibe, e Joaquim Nabuco, no Coque, também colaboraram com a atividade no dia. "Foi uma lição de educação ambiental para mim. Eu não imaginava o quanto o Capibaribe é poluído. Ainda bem que tem gente no mundo precupado em salvá-lo", disse o estudante Alexsandro Gonçalves, elogiando a iniciativa da ONG Recapibaribe, fundada há 20 anos por Maria do Socorro e André Cantanhede.

Reaproveitamento

Parte de todo o lixo retirado do rio foi destinado à decoração do Capibar, sede da ONG. O que não serviu para reaproveitamento foi recolhido e levado ao aterro sanitário da Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. Para isso, Emlurb dispôs um caminhão.

Postado por culturalfm96.com  em terça, setembro 01/2015


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